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Aprender romeno: é difícil e quanto tempo demora?

Aprender romeno: secretária com livros, caderno aberto e chávena de café, com os Cárpatos e uma vila da Transilvânia ao fundo

Aprender romeno é bem mais fácil para quem fala português do que a ortografia cheia de sinais estranhos dá a entender. É uma língua românica, prima direta do português, com uma boa dose de palavras eslavas e com casos gramaticais que o português não tem. Com estudo regular, chega a uma conversa simples do dia a dia em quatro a seis meses, e à fluência em cerca de um ano e meio a dois anos.

Quantas pessoas falam romeno?

O romeno é a língua materna de cerca de 24 milhões de pessoas. Somando quem o fala como segunda língua, o total ronda os 28 milhões. A maioria vive na Roménia (cerca de 19 milhões de habitantes) e na Moldávia, onde o romeno é língua oficial.

Há comunidades romenas importantes também em Itália, Espanha, Alemanha e Reino Unido, na Ucrânia (sobretudo na Bucovina) e na Sérvia. Em Portugal vive também uma comunidade romena considerável. O romeno é ainda uma das 24 línguas oficiais da União Europeia, tal como o português.

A que família de línguas pertence o romeno?

O romeno pertence à família indo-europeia, ao grupo das línguas românicas, onde forma um ramo próprio, o romance oriental. Nasceu do latim vulgar falado na Dácia, a província romana que ocupava boa parte do atual território da Roménia.

Durante séculos evoluiu longe do resto do mundo latino, entre línguas eslavas, o húngaro, o grego e o turco. Todas deixaram marcas no vocabulário, mas o esqueleto da gramática continuou latino.

O romeno é parecido com o português?

Sim, mais do que muita gente imagina, embora a língua mais próxima seja o italiano. Grande parte do vocabulário básico de origem latina é comum às duas línguas.

RomenoPortuguêsItaliano
apăáguaacqua
casăcasacasa
lapteleitelatte
noaptenoitenotte
frumosformoso, bonitobello
a mâncacomermangiare
prietenamigoamico

Repare em «frumos». Vem do latim formosus, a mesma origem do nosso «formoso», enquanto o italiano usa outra palavra. Já «prieten» não tem nada de latino: é um empréstimo eslavo, tal como «da» (sim), «a iubi» (amar), «a vorbi» (falar), «a citi» (ler) e «a plăti» (pagar). Estima-se que as palavras de origem eslava representem mais de dez por cento do léxico romeno.

O romeno tem variantes e dialetos?

Tem. Os linguistas distinguem quatro variedades principais:

  • dacorromeno, o romeno padrão, usado na Roménia e na Moldávia e ensinado nos cursos,
  • arromeno, falado por comunidades na Grécia, na Albânia e na Macedónia do Norte,
  • meglenorromeno, hoje ameaçado, com poucos milhares de falantes,
  • istrorromeno, que já só um pequeno grupo fala na península da Ístria, na Croácia.

Alguns investigadores consideram as três últimas línguas autónomas. Na prática, quem aprende romeno lida apenas com a variante padrão.

E a chamada «língua moldava»? É a mesma língua, com diferenças sobretudo de sotaque e de algum vocabulário. Em 2023, o parlamento da Moldávia substituiu oficialmente a designação «língua moldava» por «língua romena» na legislação. Com o romeno, entende-se tanto em Bucareste como em Chisinau.

O romeno é difícil?

Comparado com outras línguas europeias, não muito. O Foreign Service Institute (FSI), que forma os diplomatas norte-americanos, coloca o romeno na categoria I, a mais fácil para falantes de inglês, ao lado do espanhol, do italiano e do francês. Para um falante de português o ponto de partida é ainda melhor: o género gramatical e a conjugação verbal rica já são terreno conhecido, e boa parte do vocabulário também.

A dificuldade aparece depois das bases. As primeiras frases surgem depressa, porque a ortografia é muito fonética e lê-se quase como se escreve. Os problemas começam com o artigo colado ao nome, os casos e o conjuntivo, de que falamos mais abaixo.

Quanto tempo demora a aprender romeno?

Segundo o FSI, um adulto anglófono precisa de cerca de 24 semanas de estudo intensivo, ou seja, à volta de 600 horas de aulas, para atingir um nível profissional. São dados para falantes de inglês, obtidos em cursos presenciais intensivos. Quem fala português costuma precisar de menos tempo, mas com trabalho e outras obrigações os prazos esticam.

Valores indicativos para um falante de português que estude 30 a 45 minutos por dia:

ObjetivoNívelTempo de estudo estimadoNa prática
Desenrascar-se numa viagemA140–80 horas1–2 meses
Conversa simples sobre o dia a diaA2120–200 horas4–6 meses
Conversa à vontade, filmes com legendasB1–B2300–450 horas9–14 meses
FluênciaC1550–750 horas1,5–2 anos

São estimativas. Atrasa, pelo contrário, estudar aos solavancos: duas horas ao sábado rendem menos do que 20 minutos todos os dias, porque na quinta-feira já se esqueceu boa parte do vocabulário de sábado.

O que custa mais a quem aprende romeno?

O artigo colado ao fim da palavra

Em romeno, o artigo definido não vem antes do nome, cola-se ao fim dele. «Lup» é lobo, «lupul» é o lobo. «Casă» é casa, «casa» é a casa. Parece simples, mas as terminações variam com o género, o número e o caso.

Os casos

O romeno tem cinco casos, embora as formas se reduzam na prática a três grupos: nominativo e acusativo, genitivo e dativo, e vocativo. O português só guarda vestígios disto nos pronomes («o» e «lhe», por exemplo, que distinguem complemento direto e indireto). Em romeno, a declinação recai sobretudo sobre o artigo, e é preciso interiorizar um sistema novo.

O género neutro com comportamento duplo

O português tem dois géneros, o romeno tem três. Os nomes neutros comportam-se como masculinos no singular e como femininos no plural. «Un scaun» (uma cadeira) leva adjetivos masculinos, «două scaune» (duas cadeiras) leva adjetivos femininos. Aprende-se melhor com exemplos do que com tabelas.

O conjuntivo onde esperava o infinitivo

Onde em português dizemos «quero comer», um romeno diz «vreau să mănânc», literalmente «quero que eu coma». O conjuntivo em si não assusta quem fala português, mas usá-lo em vez do infinitivo vai contra o instinto. Aparece a toda a hora e, no nível A2, costuma ser o maior obstáculo gramatical.

Pronúncia e sinais diacríticos

O alfabeto tem cinco letras adicionais: ă, â, î, ș, ț. Aqui o português europeu dá uma ajuda real. O «ș» soa como o nosso «ch» em «chave». O «ă» é uma vogal central, muito parecida com o «a» átono de «cama» ou «casa». E o som escrito «â» ou «î» (as duas letras representam o mesmo som) fica muito próximo do «e» que quase engolimos em palavras como «de» ou «pequeno».

O que custa mais é o «ț», que se pronuncia «ts», um som que não existe em português. O acento tónico não tem posição fixa e tem de ser memorizado com cada palavra, tal como em português.

Falsos amigos

Muitas palavras parecem conhecidas e significam outra coisa:

  • «carte» é livro, não carta,
  • «a lucra» é trabalhar, não lucrar,
  • «frate» é irmão, não frade,
  • «masă» é mesa ou refeição, não massa,
  • «a lua» é tirar ou apanhar, enquanto a lua do céu é «lună».

A intuição latina também falha nas dezenas de palavras do dia a dia com origem eslava, húngara ou turca.

Como aprender romeno para começar a falar depressa?

Uma lista de palavras não chega para se desenrascar numa loja ou no médico. Avança-se mais depressa quando vocabulário, gramática e pronúncia são treinados em conjunto, em situações concretas, e quando revisões regulares trazem a matéria de volta antes de ser esquecida. Por isso, 15 a 20 minutos por dia valem mais do que uma hora uma vez por semana.

É assim que está construído o curso Romeno: Fast Track da SuperMemo. É um curso de língua completo, do zero ao nível A1–A2, que prepara para as situações do quotidiano em viagem e no próprio país: na loja, no restaurante, no médico ou numa repartição pública. Cada capítulo parte de um diálogo ou de um texto curto, e mais de 2900 exercícios desenvolvem a compreensão oral e escrita e ensinam a construir frases próprias. As gravações ajudam a habituar o ouvido à pronúncia correta e, na aplicação para telemóvel, o reconhecimento de voz permite treinar a sua.

Os temas cobrem o que é mesmo preciso no início: cumprimentos e expressões de cortesia, a família e o trabalho, compras no mercado, pedidos no restaurante, conversas ao telefone e uma ida ao médico ou à farmácia. O método SuperMemo planeia as revisões de vocabulário e de gramática, para não perder tempo com o que já sabe. As instruções do curso estão disponíveis em português, e pode estudar na aplicação para iOS e Android ou no navegador. Todos os cursos estão reunidos na página cursos de romeno da SuperMemo.

Perguntas frequentes sobre aprender romeno

Um português percebe romeno sem o estudar?

Num texto simples, percebe muitas vezes o sentido geral, graças ao vocabulário latino comum. A ouvir é bem mais difícil, sobretudo por causa da pronúncia e das palavras de origem eslava.

Quanto tempo é preciso para conversar em romeno?

Com cerca de meia hora de estudo por dia, um falante de português chega normalmente a uma conversa simples sobre temas do dia a dia (nível A2) em quatro a seis meses. A fluência exige um ano e meio a dois anos de trabalho sistemático e contacto com a língua viva.

Romeno e moldavo são a mesma língua?

São. As diferenças estão no sotaque e em parte do vocabulário. Desde 2023, também a legislação da Moldávia usa a designação «língua romena».

Por onde começar a aprender romeno?

Pela pronúncia e pelas 300 a 500 palavras mais frequentes, a par de expressões simples para se apresentar, pedir num café e perguntar o caminho. A gramática (artigo, casos, conjuntivo) entra melhor aos poucos, através de exemplos em frases completas.

Quer começar pelas bases? Experimente o curso Romeno: Fast Track e estude 15 minutos por dia, com revisões ajustadas à sua memória.